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Caso Battisiti - PAC


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CASO BATTISTI

  • da "Globo.com" 07/03/09 - 13h50 - Atualizado em 07/03/09 - 14h06
 

'Battisti é delinquente comum', diz irmão de policial morto na Itália

Governo brasileiro concedeu refúgio político a Cesare Battisti.
Defesa nega crime e aponta falhas no processo.

Laura Naime Do G1, em Milão

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Maurizio Campagna, irmão do policial Andrea Campagna (Foto: Laura Naime/G1)

O G1 encontrou Maurizio Campagna em Milão, na Via Modica, um uma manhã fria, neste sábado (7). O local é o mesmo onde, há quase 30 anos, foi morto a tiros o irmão de Maurizio, o policial Andrea Campagna – segundo a Justiça italiana, por Cesare Battisti.

 

Desiludido com a decisão da Justiça brasileira de conceder asilo político ao acusado, Campagna qualifica Battisti como “delinquente comum”. Diz também acreditar que o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não leram a sentença que o condenou à prisão perpétua na Itália.

 

Na Itália, Battisti foi condenado a prisão perpétua por envolvimento com quatro homicídios ocorridos anos de 1978 e 1979, entre eles, o de Andrea Campagna. Ex-membro da organização de extrema esquerda “Proletários Armados pelo Comunismo”, ele sempre negou as acusações e se disse vítima de perseguição política em seu país.
 
“Eu nasci em 16 de abril. Em 19 de abril de 1979, eu tinha acabado de fazer 18 anos. Naquele dia, meu irmão saiu da casa da namorada com o sogro, atravessou a rua e foi para o carro. Cesare Battisti e Giuseppe Memeo tinham estacionado na outra ponta da rua. Battisti viu meu irmão e decidiu matá-lo. Enquanto meu irmão abria a porta do carro, ele atirou quatro vezes”, acusa Maurizio.

Campagna refuta firmemente a idéia de que a morte de Andrea tenha sido um crime político, como defende Battisti. Para ele, trata-se de um crime comum. “A decisão de matar meu irmão foi só do Cesare Battisti. Até porque o PAC (Proletários Armados para o Comunismo, grupo de esquerda do qual Battisti fazia parte) ficava aqui perto. Eles disseram para ele: ‘Se você matar o Andrea Campagna, a polícia vai saber’”, diz. 

 

Maurizio acredita que a decisão pela morte do policial foi tomada por causa de uma imagem na televisão.

Andrea foi um dos policiais que detiveram os acusados pelo crime contra Pierluigi Torregiani (o joalheiro morto em frente ao filho, crime do qual a Justiça italiana acusa Battisti de ser o mandante). 

“Meu irmão apareceu na TV prendendo esse assaltante. Então foi decidido que meu irmão seria morto. Então não é porque meu irmão estava envolvido no conflito político. Essa pessoa (Battisti) não é um terrorista, é um criminoso comum. Antes de ele entrar para o PAC, já tinha sido preso por outros crimes”, acusa ele.

“Na Itália havia muitos grupos terroristas. Mas eu acredito que o PAC não é um grupo de terroristas. É um grupo de delinquentes. Porque o PAC matou dois comerciantes, um policial um agente penitenciário. Torregiani foi assaltado, ele foi morto por um assaltante. Ele reagiu a um assalto e foi morto. Isso não é terrorismo”, desabafa.

Battisti foi preso dois meses após a morte de Andrea, pelo suposto envolvimento no crime da joalheria. Segundo Maurizio, a Justiça tinha a intenção de fazer uma acareação entre Battisti e o sogro de Andrea, o que não aconteceu.

“O pai da namorada do meu irmão o viu atirando e correu atrás. Battisti tentou atirar nele, mas a arma travou. Senão teria mais um morto”, acusa ele. “Cesare Battisti não quis fazer a acareação porque sabia que seria reconhecido”. 

Defesa nega acusações

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa dos advogados de Battisti diz que ele nega a autoria dos crimes e que não há testemunhas oculares nem provas materiais contra o italiano.

Em carta enviada ao STF, onde tramitam pedidos da Itália para revogar a decisão do governo brasileiro e pedidos de sua defesa para libertá-lo, Battisti afirma que, em junho de 1978, antes dos crimes atribuídos a ele, deixou o PAC devido a um assassinato cometido por membros do grupo. Ele disse que participou de uma reunião do PAC em 1979 justamente para tentar impedir que o grupo realizasse os assassinatos de que agora é acusado.
 
Segundo a assessoria, há ilegalidades no processo que o condenou pelas mortes, como a procuração na qual Battisti aceita a nomeação de advogados do Estado italiano para defendê-lo das acusações de homicídio.

Na época em que o processo tramitou, Battisti estava no México,depois, foi para a França, e não teria ficado sabendo do processo para poder se manifestar, segundo a assessoria. A procuração, afirma a defesa do italiano, foi falsificada. 
 
Além disso, a assessoria afirma que a condenação de Battisti se deu com base no testemunho de Pietro Mutti, um ex-dirigente do PAC que teria acusado o italiano e, com a delação premiada, teria sido beneficiado com uma pena mais leve mesmo após ter confessado sua participação nos crimes.

 

A tese de que não houve oportunidade para ampla defesa de Battisti no processo fundamentou a decisão do ministro Tarso Genro, favorável ao italiano. 

Genro afirma que o processo de Battisti foi julgado “segundo circunstâncias especiais de conflito”. “Hoje, qualquer juiz que pegasse esse processo e o analisasse detalhadamente, absolveria o Battisti por falta de provas.” (No vídeo ao lado, veja entrevista do ministro a Alexandre Garcia, na Globo News)

Maurizio Campagna se incomoda com a tese: “Dizer que não houve oportunidade de defesa no julgamento que condenou Battisti é incorreto. Battisti é um mentiroso que fugiu da Itália. O processo é regular".

Extradição

Na defesa da extradição de Battisti, Maurizio lembra o caso dos boxeadores cubanos Guillermo Rigondeax e Erislandy Lara, que fugiram da delegação durante os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, mas que acabaram retornando ao seu país de origem.

“Quando o governo brasileiro deu asilo político ao Battisti eu não entendi. Por que Lula e Genro deram asilo a um assassino, mas não deram asilo aos dois atletas de Cuba? Você tem um assassino livre e os dois atletas são mandados de volta. Parece a história de Jesus Cristo e Barrabás”, compara. 

Memorial a Andrea Campagna (Foto: Laura Naime/G1)

Para o irmão de Andrea Campagna, a decisão brasileira de conceder asilo foi uma questão de falta de leitura.

“Eu acredito que o Genro e o Lula não leram a sentença do processo do Battisti. Se eles tivessem lido, acredito que ele seria extraditado para a Itália. Porque o processo é claro, Battisti não é a vítima, ele não é o Che Guevara italiano. O seu presidente não deu asilo político a um perseguido, mas a um criminoso comum”, acusa ele.

Para demonstrar sua tese, Maurizio diz que, no Congresso italiano, mesmo a extrema esquerda concorda com a extradição. “Geralmente você tem governo e oposição. Mas nesse caso todos concordam, porque se você ler o processo, é impossível dar a Cesare Battisti algum benefício da dúvida”.

Maurizio Campagna também acusa a França de colaborar com Battisti. “Ele ficou lá uns 12 anos, até que saiu a extradição. Ele recorreu, mas o Comitê Europeu de Justiça leu o processo e concordou com a decisão”. Depois da decisão, Battisti deixou o país. “Ele teve ajuda para sair da França, é impossível ter saído sem. Não sei se foi a polícia secreta da França, mas ele teve ajuda”, diz ele. “Não sei porque os franceses acreditam que ele é uma boa pessoa, ele é um deliquente”, acusa. “ 

Sem vingança

Em um tom de voz que parece quase conformado com a situação do caso, Campagna diz que não busca vingança.

“Quase 30 anos depois das mortes, as famílias Campagna, Torregiani, Santoro e Sabattini, não queremos vingança. Nós queremos justiça, queremos que ele pague pelos anos que a Justiça decidir. Mas se a Justiça decidir que ele deve ficar dois anos preso, ok. Mas ele tem que pagar por esses crimes”, defende. “Eu sou amigo das famílias das outras vítimas. Nós acreditamos que a única solução para esse caso é entregar o Battisti para a Itália”.

 

A jornalista viajou à Itália a convite do Instituto Italiano para o Comércio Exterior.


 


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